TEMÁRIO | AGOSTO/26 - A CASA COMO LAR EM MEIO À CORRERIA DO MUNDO
- Veronica Bernardi

- 27 de jul.
- 5 min de leitura

LEITURA DA PALAVRA: Lucas 10, 1-10
ORAÇÃO INICIAL
Pai amado, nós Te agradecemos por este momento de reflexão. Pedimos que o Teu Espírito Santo fale ao nosso coração e nos ensine a valorizar o lar que o Senhor nos
confiou. E que no meio da correria, das tarefas e do barulho do mundo, possamos perceber que cada vez mais precisamos de Ti, para que possamos cultivar a paz, o amor, o respeito e o perdão dentro de nossa casa, fazendo dela um lugar onde a Tua presença seja constante. Abre nosso entendimento para a Tua Palavra e fortalece nossa fé, para que vivamos segundo a Tua vontade.
Vivemos em um tempo marcado pela pressa. Trabalho, compromissos, atividades dos filhos e tantas responsabilidades ocupam nossos dias. Muitas vezes, chegamos ao final da semana com a sensação de que fizemos muitas coisas, mas tivemos pouco tempo para simplesmente estar com aqueles que amamos. Diante dessa realidade, somos convidados a olhar para dentro de nossa própria casa e nos perguntar: ela tem sido verdadeiramente um lar ou apenas um lugar de passagem?
No Evangelho de Lucas 10,1-10, ao enviar seus discípulos em missão, Jesus orienta:
“Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’” (Lc 10,5). Essa Palavra nos convida a pensar na paz que desejamos para nossas famílias. Não uma paz entendida como ausência de dificuldades ou conflitos, mas aquela que nasce onde existe espaço para o diálogo, a escuta, o acolhimento, o perdão e o recomeço. A paz que
queremos levar ao mundo precisa, antes de tudo, encontrar espaço dentro de nossa própria casa.
No livro De Família Sitiada à Família Situada, Padre Zezinho apresenta a família como uma “escola de convivência”. Essa expressão nos provoca a pensar sobre o verdadeiro significado de conviver. Afinal, estar na mesma casa não significa, necessariamente, estar juntos. É possível dividir o mesmo teto e viver distantes. Podemos estar sentados no mesmo sofá, mas cada um concentrado em sua própria tela; fazer uma refeição juntos sem conversar; perguntar “como foi seu dia?” sem realmente parar para ouvir a resposta. Aos poucos, sem perceber, a casa pode se transformar apenas no lugar onde chegamos, dormimos, nos alimentamos e nos preparamos para o próximo compromisso. O lar, porém, precisa ser espaço de encontro. É nele que aprendemos a dividir, respeitar, escutar, perdoar e amar. É onde cada membro da família deveria encontrar acolhida e ter a certeza de que existe alguém disposto a perceber sua presença, suas alegrias e também suas dificuldades.
Padre Zezinho nos apresenta ainda uma reflexão com um título muito significativo:
“Redescobrir o outro”. Talvez esse seja um dos grandes desafios da vida familiar. A rotina
pode fazer com que deixemos de olhar com atenção justamente para quem está mais perto de nós. Pensamos conhecer tão bem nosso esposo, nossa esposa e nossos filhos que, muitas vezes, deixamos de perguntar o que estão sentindo, vivendo ou sonhando.
Redescobrir o outro é voltar a olhar. É perceber os esforços do cônjuge, interessar-se
por suas preocupações, reconhecer suas qualidades e oferecer uma escuta verdadeira.
É olhar para os filhos para além das tarefas, horários e cobranças, criando oportunidades
para conversar, brincar, rezar e simplesmente estar juntos.
No mesmo Evangelho, Jesus diz aos discípulos: “Permanecei na mesma casa” (Lc 10,7). A palavra permanecer ganha um significado especial diante da correria dos nossos dias. Em um mundo que nos ensina constantemente a correr, talvez nossas famílias
precisem reaprender a permanecer. Permanecer um pouco mais à mesa, em uma conversa sem olhar o celular, ao lado de quem está enfrentando uma dificuldade. Permanecer disponível para ouvir e para acolher. Não basta estar na mesma casa: é preciso estar verdadeiramente presente.
Padre Zezinho também nos leva a refletir sobre os “Pequenos e grandes amores”.
São justamente os pequenos gestos cotidianos que sustentam os grandes vínculos
familiares. O lar vai sendo construído no café compartilhado, no abraço, na conversa antes de dormir, na refeição em família, na oração, na divisão das responsabilidades e na
capacidade de deixar as distrações de lado para olhar nos olhos de quem está ao nosso
lado. Talvez nossas famílias não precisem fazer mais coisas juntas, mas precisem aprender novamente a estar juntas. Como casais do Movimento Familiar Cristão, somos chamados a cuidar das famílias e testemunhar a beleza da vida familiar. Mas essa missão começa dentro de nossa própria casa. Antes de levarmos a paz para outras famílias, precisamos olhar para nossa convivência e perceber o que, em meio à correria, fomos deixando para trás e o que precisamos resgatar.
Que a saudação de Jesus: “A paz esteja nesta casa”, seja também uma oração e um compromisso para nossas famílias. Que nossas casas sejam lugares onde cada pessoa
possa sentir: aqui sou acolhido, aqui sou ouvido, aqui sou amado, aqui pertenço. Em meio à pressa do mundo, precisamos proteger aquilo que realmente importa: o tempo
juntos, o diálogo, a oração, a mesa compartilhada e os pequenos gestos que constroem
nossas histórias. Uma casa se transforma verdadeiramente em lar quando deixamos de apenas passar por ela e escolhemos permanecer, conviver e estar presentes uns para os outros.
PARA REFLETIR:
1. Nossa casa tem sido um lugar de verdadeira convivência ou, muitas vezes, apenas
um lugar de passagem?
2. O que mais tem roubado o tempo e a atenção da nossa família?
3. Em quais momentos estamos fisicamente juntos, mas não verdadeiramente
presentes?
4. O que precisamos resgatar em nossa convivência familiar?
GESTO CONCRETO: resgatar a história do nosso lar
Neste mês, o casal é convidado a recordar algo especial da convivência familiar que foi
se perdendo com a correria: um costume, uma tradição, uma oração, um momento de
lazer ou uma forma de demonstrar carinho. Escolham juntos algo que desejam resgatar e
colocar novamente em prática durante o mês.
Ao final, reflitam: O que queremos preservar para que nossa casa seja cada vez mais
um verdadeiro lar?
ORAÇÃO DE ENVIO E GRATIDÃO
Senhor Deus, obrigado por tudo o que aprendemos nesta reflexão. Ajuda-nos a colocar em prática a tua palavra, transformando nosso lar em um ambiente de acolhimento, união e esperança e o mais importante está dentro de casa, pessoas, mesa, conversa, oração e que nunca nos falte sabedoria para enfrentar os desafios do dia a dia, nem amor para cuidar daqueles que colocaste ao nosso lado. Abençoa cada família que receber esta mensagem, concedendo paz, saúde, proteção e a Tua presença constante.
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Amém.
MÚSICA PARA ACOLHIDA OU FECHAMENTO DA REUNIÃO
Casa (Colo de Deus)
Disponível em:
OUÇA A MÚSICA SUGERIDA NO SPOTIFY

“A paz esteja nesta casa!” (Lc 10,5).
Oração inicial e de envio, colaboração do Casal Rubens e Neli – Liturgia ECE-PR
Fonte de Pesquisa e Inspiração: Livro Da Família Sitiada à Família Situada. Pe. Zezinho, scj, Ed.
Paulinas.




Comentários