A ERA DA INFIDELIDADE: RESISTIR, DISCERNIR E PERMANECER
- Veronica Bernardi

- 26 de mai.
- 4 min de leitura

LEITURA DA PALAVRA: João 15, 4-5
ORAÇÃO INICIAL
Deus de fidelidade, num mundo onde a verdade parece se perder e a infidelidade tenta abalar os corações, nós nos reunimos em Teu nome. Dai-nos o Espírito de discernimento para reconhecer o que é verdadeiro e a força para resistir ao que nos afasta de Ti.
Guia-nos pela Tua Palavra, para permanecermos firmes na fé e sermos testemunhas da Tua fidelidade eterna.
Amém.
Vivemos em uma geração marcada pela rapidez, pelas trocas constantes e pela dificuldade de permanecer. Tudo parece descartável: objetos, compromissos, relações e até promessas. A sociedade nos ensina diariamente que, quando algo deixa de satisfazer, basta substituir. Essa mentalidade, infelizmente, também atingiu os relacionamentos, as famílias, a fé e os compromissos assumidos diante de Deus. Estamos vivendo aquilo que muitos chamam de “a era da infidelidade”, uma realidade em que permanecer se tornou difícil e resistir se tornou um desafio diário.
A infidelidade nem sempre começa em grandes rupturas. Muitas vezes ela nasce silenciosamente nas pequenas desistências, na falta de diálogo, no esfriamento da vida espiritual, na indiferença e no individualismo. O mundo atual incentiva o “eu” acima do “nós”, o prazer acima do compromisso e o sentimento passageiro acima da decisão de amar. Quando isso acontece, a fidelidade passa a ser vista como peso, e não como virtude. Trocam-se relacionamentos, amizades, comunidades e até a própria fé na busca de uma felicidade imediata, esquecendo que o amor verdadeiro não se sustenta apenas na emoção, mas na escolha diária de permanecer. É justamente nesse contexto que a Palavra de Deus nos faz um convite profundo:
“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
Jesus nos recorda que ninguém permanece firme sozinho. O ramo só permanece vivo porque está unido à videira. Assim também acontece no matrimônio: quando o casal se afasta de Deus, corre o risco de secar espiritualmente. Permanecer exige oração, diálogo, renúncia, perdão e intimidade com Deus. O amor precisa ser alimentado diariamente.
O casamento cristão nos ensina uma verdade contrária à lógica do mundo: amar não é apenas sentir, amar é decidir. É escolher permanecer mesmo quando chegam as dificuldades, as crises, o desgaste e o cansaço. Fidelidade não é ausência de luta; fidelidade é continuar caminhando juntos apesar das lutas.
Padre Zezinho, que tantas vezes falou sobre a beleza da família e do matrimônio, nos lembra: “Amar é decidir ficar quando seria mais fácil ir embora.” E também: “Família não é lugar de gente perfeita. É lugar de gente que aprende a amar.”
Essas palavras nos ajudam a compreender que a perseverança no amor não nasce da perfeição, mas da disposição de recomeçar todos os dias. O mundo ensina a desistir rapidamente, mas Deus continua chamando casais capazes de reconstruir, dialogar e permanecer.
Hoje, mais do que nunca, o testemunho dos casais cristãos se torna necessário. O mundo precisa olhar para famílias que, mesmo imperfeitas, continuam acreditando na fidelidade, no perdão e na presença de Deus. Permanecer virou resistência. Amar virou testemunho.
Talvez a grande pergunta do nosso tempo seja: ainda vale a pena permanecer? E a resposta nasce no coração daqueles que compreendem que o amor verdadeiro não é descartável. Quem ama de verdade aprende que felicidade não é ausência de problemas, mas presença de Deus nas dificuldades.
Como uma planta que precisa ser cuidada diariamente para não morrer, o casamento também necessita de atenção constante. Não basta plantar o amor, é preciso regá-lo com diálogo, carinho, oração, tempo e cuidado. Quando isso deixa de acontecer, o relacionamento enfraquece. Permanecer exige cultivo diário.
Em uma sociedade que valoriza o imediatismo e as emoções passageiras, os casais são chamados a viver uma fidelidade madura, consciente e espiritual. Resistir é coragem. Discernir é sabedoria. Permanecer é amor vivido na fidelidade de cada dia.
PARA REFLETIR:
1. Em quais momentos do nosso casamento fomos tentados a desistir, e o que nos ajudou, ou ainda pode nos ajudar, a permanecer unidos diante das dificuldades?
2. Temos construído nosso relacionamento sobre sentimentos passageiros ou sobre uma decisão diária de amar, perdoar e permanecer em Deus?
3. Quais pequenas infidelidades do cotidiano, como: falta de diálogo, indiferença, orgulho, ausência espiritual ou individualismo, podem estar enfraquecendo silenciosamente nossa união?
GESTO CONCRETO
Ao menos uma vez por semana, o casal deverá separar um momento a sós, sem celular e sem distrações, para realizar a “Noite da Permanência”.
Nesse momento:
● acender uma vela;
● ler juntos João 15, 4-5;
● rezar um pelo outro;
● e conversar sinceramente sobre a seguinte pergunta: “O que precisamos cuidar hoje para que nosso amor permaneça vivo?”
Depois da conversa, cada um deverá dizer ao outro:
● uma qualidade que admira no esposo(a);
● um pedido de perdão;
● e uma atitude concreta que deseja mudar para fortalecer o casamento.
Ao final, o casal pode dar as mãos e fazer uma oração espontânea, pedindo a Deus a graça da fidelidade, do diálogo e da perseverança no amor.
ORAÇÃO DE ENVIO E GRATIDÃO
Pai misericordioso, ao encerrarmos este momento, renovamos nossa confiança em Ti. Fortalece-nos para viver com integridade, discernir com sabedoria e permanecer firmes na Tua verdade. Que sejamos luz num mundo confuso, refletindo Teu amor e fidelidade. Conduz-nos sempre ao caminho da verdade e da vida.
Amém.
MÚSICA PARA ACOLHIDA OU FECHAMENTO DA REUNIÃO
Oração Pela Família - Padre Zezinho
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“Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós.” (João 4-5)
Oração inicial e de envio, colaboração do Casal Rubens e Neli – Liturgia ECE-PR
Fonte de Pesquisa e Inspiração: Livro: Da Família Sitiada à Família Situada. Pe. Zezinho, scj, Editora Paulinas.




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