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FILHOS: DONS CONFIADOS EM TEMPOS DE AMEAÇA

  • Foto do escritor: Veronica Bernardi
    Veronica Bernardi
  • 4 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de mai.


LEITURA DA PALAVRA: Salmo 127


ORAÇÃO INICIAL

Deus de amor e proteção, nós nos reunimos aqui hoje para refletir sobre e desafio de criar

filhos em tempos de ameaça, num mundo globalizado, digital e marcado pela inteligência

artificial. Que possamos reconhecer os filhos como dons confiados por Ti, e que possamos

ser instrumentos de Tua graça e sabedoria para guiá-los e protegê-los. Amém.


Educar é uma das tarefas mais exigentes e mais sublimes confiadas ao casal. Não

se trata apenas de acompanhar o crescimento biológico dos filhos, mas de formar

consciência, caráter e fé. No livro “Da família sitiada à família situada”, Pe. Zezinho compara

os pais a pilotos: assim como um piloto precisa aprender a interpretar sinais, números e

instrumentos para conduzir um avião com segurança, os pais precisam aprender a “ler” os

sinais dos filhos, seus comportamentos, emoções, fases e desafios. Criar filhos não é

improvisar; exige formação contínua, consciência e responsabilidade. Amar não é apenas

proteger ou evitar frustrações, mas preparar para a vida real.

Ler os filhos significa perceber os sinais que nem sempre vêm em palavras claras.

Mudanças de comportamento, silêncios prolongados, irritações frequentes, retraimentos,

desafios, tudo comunica. Muitas vezes, a rebeldia esconde insegurança, a indiferença pode

esconder dor, a agressividade pode revelar medo. O casal que aprende a observar com

serenidade e escutar com o coração descobre que educar é também interpretar.

Pe. Zezinho lembra que os filhos são mistério. Os pais nunca saberão tudo, mas

precisam saber o suficiente para amar e orientar. Educar não é controlar cada passo, mas

formar interiormente. A ausência de diálogo, a terceirização da formação para a escola ou

para a mídia, e o distanciamento afetivo fragilizam a missão educativa. A família é a primeira

escola e nenhuma outra instituição substitui seu papel.

Mas não basta saber ler. É preciso saber escrever. “Mais do que saber ler e

compreender os filhos, o casal precisa saber escrevê-los.” Escrevemos os filhos todos os

dias com nossas atitudes. Escrevemos quando dialogamos, quando corrigimos com firmeza e respeito, quando pedimos perdão, quando demonstramos amor conjugal, quando

vivemos nossa fé com coerência. Cada gesto é uma frase na história deles.

E os casais que não têm filhos? E aqueles cujos filhos já saíram de casa? A missão

educativa não se encerra nem se limita à geração biológica. Todo casal cristão é chamado

a fecundidade. Há uma paternidade e maternidade espiritual que se expressa no cuidado

com sobrinhos, afilhados, alunos, jovens da comunidade, casais mais novos, na própria

participação no MFC. Muitos formam vidas pelo conselho, pelo exemplo, pelo acolhimento.

Outros continuam educando os filhos adultos pelo testemunho silencioso, pelo equilíbrio,

pela oração perseverante. A missão não termina, ela se transforma.

Vivemos, porém, num tempo que oferece tudo pronto, estamos na “era do prato

feito”, na qual a sociedade, a mídia, a política e até algumas correntes religiosas oferecem

respostas rápidas, modelos prontos e soluções fáceis. Nessa lógica, pensar cansa,

discernir exige esforço, escolher implica responsabilidade. O risco é formar filhos que

apenas consomem opiniões, mas não desenvolvem critérios.

Educar, portanto, é ensinar a pensar. É formar conceitos claros sobre vida, dignidade

humana, família, fé, respeito, responsabilidade e cidadania. É ajudar os filhos a não

julgarem apressadamente, a não seguirem multidões sem reflexão, a não se deixarem

conduzir apenas pelo que é mais popular ou mais fácil. Como recorda o livro, formar

consciência exige paciência e perseverança.

Outro ponto forte é a questão da liberdade. Amar não é manter dependente.

Superproteger pode parecer cuidado, mas muitas vezes enfraquece. Preparar para a

autonomia é mais exigente, porém mais verdadeiro. O próprio texto afirma: “Às vezes,

pressionar para que os filhos convenientemente adolescentizados saiam de casa é um ato

de amor. Proteger demais machuca!” A missão dos pais não é impedir que enfrentem a

vida, mas capacitá-los para enfrentá-la com maturidade.

Isso exige unidade do casal. Quando pai e mãe caminham em direções diferentes,

a educação perde força. Quando há coerência, o testemunho se torna sólido. O casamento

é o primeiro ambiente formador. A maneira como o casal resolve conflitos, demonstra afeto,

vive a fé e enfrenta dificuldades ensina muito mais do que discursos longos. Mesmo sem

filhos em casa, o casal continua sendo sinal, referência e escola de vida para muitos.

Educar é processo contínuo de conversão também para os pais. Exige rever

posturas, reconhecer falhas, amadurecer. Não há famílias perfeitas, mas há famílias que

buscam crescer. A educação é uma obra de longo prazo, construída com amor firme,

diálogo constante e testemunho coerente.

Ler os filhos (biológicos ou espirituais) é compreender seus sinais. Escrevê-los é formar consciências. E essa missão pertence a todo casal que deseja viver sua vocação

com responsabilidade e fé.


PARA REFLETIR:

1. Estamos realmente aprendendo a ler os sinais dos nossos filhos (biológicos

ou espirituais) ou apenas reagindo às atitudes deles?

2. Que história nossas atitudes estão escrevendo na vida deles?

3. Nossa família forma critérios sólidos ou oferece apenas regras e respostas

prontas?

4. Estamos preparando nossos filhos (biológicos ou espirituais) para a

dependência ou para a liberdade responsável?


GESTO CONCRETO

1. Um tempo individual com cada filho (ao menos 20 minutos), sem distrações, para

escutar com atenção.

2. Uma palavra afirmativa, destacando uma qualidade e um incentivo concreto.

3. Uma oração em família, agradecendo a Deus pelo dom dos filhos e pedindo

sabedoria para educar.

"Pequenos gestos, vividos com constância, escrevem grandes histórias."


ORAÇÃO DE ENVIO E GRATIDÃO

Pai, agradecemos-te por nos lembrar da importância de criar filhos que sejam fortes, sábios

e fiéis em meio as ameaças do mundo. Que possamos ser uma fonte de amor, apoio e

orientação para eles, ajudando-os a navegar pelo mundo digital e a discernir os valores que

realmente importam. Que possamos confiar em Ti para protegê-los e guiá-los em todos os

caminhos. Amém.


MÚSICA PARA ACOLHIDA OU FECHAMENTO DA REUNIÃO

Utopia (Pe. Zezinho na voz de Thiago Brado)


OUÇA A MÚSICA SUGERIDA NO SPOTIFY




Oração inicial e final, colaboração do Casal Rubens e Neli – Liturgia ECE-PR

Fonte de Pesquisa e Inspiração: Livro: Da Família Sitiada à Família Situada. Pe.

Zezinho, scj, Editora Paulinas.

 
 
 

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